Jovens contam como salvaram jovem abusada no Carnaval de Ovar

Cinco rapazes surpreenderam um indivíduo de 56 anos a molestar uma jovem de 17, encostada a um carro, numa rua escura em Ovar, na noite de Carnaval.

Os jovens conseguiram travar e segurar o suspeito até à chegada da PSP, enquanto outras pessoas passavam, indiferentes.

O grupo foi do Porto a Ovar para festejar o Carnaval, na terça-feira. Mas em vez de uma noite de folia, passaram oito horas na esquadra da PSP, como heróis, mais do que meras testemunhas de um crime que poderia ter sido ainda mais grave.

“Foi uma visão terrível. Estava uma menina, completamente inconsciente, encostada a um carro e um homem, com mais de cinquenta anos, a agarrá-la e a fazer dela um boneco insuflável”, contou, Miguel Guimarães, um dos jovens que ajudaram a rapariga.

“Nunca vi uma coisa assim. Fiquei traumatizado”, referiu o amigo Varela. Dois de um grupo de cinco que foram a ventura de uma jovem molestada por um jardineiro na noite de Carnaval. Interpelaram o homem, tomaram a guarda da jovem e chamaram as autoridades.

“A menina não conseguia andar ou falar. Tivemos que pegar nela ao colo enquanto esperamos pela chegada do INEM”, conta Miguel. Enquanto o grupo se concentrou em prestar auxílio à jovem desconhecida, o homem, que a polícia veio a confirmar ter 56 anos, “começou a dar passos largos, afastando-se do local”.

O grupo dividiu-se. Uns ficaram com a jovem e outros perseguiram o suspeito. “Fomos atrás dele e conseguimos segurá-lo até à chegada da polícia. Tentou de tudo para fugir. Até se meteu numas ruelas, mas não conseguiu”, explicou Miguel Guimarães.

“No local não havia qualquer tipo de segurança”, lamenta Varela, que não compreende como é que outras pessoas passaram, viram a cena e nada fizeram. Uma indiferença, que não tocou a todos. “Ela podia ser encontrada estendida num canto no dia seguinte. Ainda bem que aparecemos”, acrescenta Miguel.

O grupo esperou cerca de cinco minutos até chegar a ajuda das autoridades, divididos entre os cuidados com a jovem e a retenção do adulto. “Quando os polícias nos encontraram e nos viram naquela situação elogiaram-nos. Claro que ficamos contentes”, disse Varela. “Ele podia estar armado, mas nem pensamos nisso”, acrescentou Miguel.