Câmaras ocultas filmam sexo entre menores

José Santana Gomes, de 43 anos, tinha um sistema ao estilo do Big Brother e gravou vítimas a terem sexo.

José Santana Gomes criou na sua casa, em Vila do Conde, um verdadeiro sistema ao estilo do Big Brother para filmar menores a manterem atos sexuais.

No quarto e na sala tinha várias câmaras ocultas ligadas a um sistema de gravação.
Entre 2014 e o ano passado, o arguido, de 43 anos, que aliciava os menores, fez seis vítimas, entre os 13 e os 17 anos. Três delas foram filmadas.

O arguido, que ofereceu às vítimas dinheiro, tabaco e telemóveis, começa a ser julgado este mês no Tribunal de Matosinhos. O suspeito, reformado por invalidez, está acusado de um crime de abuso sexual de crianças, 17 crimes de recurso à prostituição de menores, dois deles na forma tentada, e três crimes de gravações e fotografias ilícitas.

Segundo a acusação, o arguido, que está preso, aliciou o primeiro menor, com 13 anos, em outubro de 2014. Ofereceu 40 € à vítima, mas aquela recusou ter sexo. Um ano depois, José abordou um jovem, de 16 anos, no metro. Teve sexo com o menor na sua casa a troco de 50 €, atos que se repetiram 10 vezes. Esta vítima levou depois uma amiga, de 14 anos, para a casa de José.

Os menores tiveram sexo no quarto e o homem filmou tudo, sem que as vítimas soubessem, com recurso às câmaras ocultas. Situação semelhante ocorreu quando a vítima levou um outro amigo, de 15 anos, para a casa do suspeito. Filmou os menores a terem sexo e manteve relações com este outro jovem, dando-lhe 10 euros.

José teve ainda sexo com outro menor, num armazém abandonado, tendo dado à vítima, de 14 anos, 20 euros. Aliciou ainda um outro jovem, de 17 anos, mas sem sucesso. “Tinha intenção de satisfazer os seus instintos lascivos” A acusação refere que José sabia que estava a cometer crimes.

“O arguido agiu com a intenção de satisfazer os seus instintos lascivos, pretendendo manter atos sexuais a troco de contrapartidas monetárias”, lê-se no despacho.